24/10/2014

05/07/2010

Brasil trabalha pelo submarino verde e amarelo

Submarino Verde e Amarelo
 
Brasil espera que a construção de seu primeiro submarino nuclear produza uma onda de conhecimentos tecnológicos que catapulte as empresas e apóie sua base energética.
 
 Traduzido por Leonardo Jones (America Economia - México)
 
O Brasil espera que a construção do seu primeiro submarino nuclear produza uma onda de especialização tecnológica que catapulte empresas e apóie a sua base energética.
 
Para a Marinha do Brasil era como um presente de Natal, quando em 23 de dezembro de 2008 o presidente Luiz Inácio Lula da Silva colocou a sua assinatura na compra de cinco submarinos franceses por mais de US $8,300 milhões.
 
Com a compra, o país dobrou sua frota atual de submarinos, mas a compra representava muito mais. O pacote inclui nada menos que o corpo de um submarino de propulsão nuclear, o sonho de todos os barcos, mas apreciado apenas por um quinteto:  EUA, Grã-Bretanha, França, Rússia e China. Justamente membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, um banco que o Brasil também aspira.
 
As cinco potências têm os seus submarinos equipados com armas nucleares, mas mesmo com armas convencionais é um instrumento fenomenal.
 
Por um lado, a potência do reator nuclear lhe permite chegar a velocidades seis vezes maiores do que um convencional. Por outro, como o reator não é usa combustão, não precisa de oxigênio. Isso se traduz em uma autonomia quase ilimitada, dependendo apenas do tamanho de suas reservas de mantimentos e da resistência psicológica da tripulação. Além disso, a velocidade máxima pode ser mantida por todo o tempo que precisar, mesmo em grandes profundidades.
 
Semântica
 
"Um submarino nuclear é estar em todos os lugares ao mesmo tempo ", disse entusiasmado o comandante da Marinha do Brasil Julio Soares de Moura Neto.
 
Mas o plano dos almirantes brasileiros é mais ambicioso. Pelo cronograma, o submarino nuclear estará pronto até 2021, mas será apenas o primeiro de uma linha. A cada sete anos um novo será lançado para chegar a uma frota de pelo menos cinco unidades, o requisito mínimo estabelecido pelo plano de defesa desse país para patrulhar as águas profundas que cercam a maioria 7000 km de costa.
 
Como arma, uma frota de submarinos nucleares parece exagerada para os vizinhos sul-americanos. Mas não é tanto pelo poder fogo que os brasileiros crescem seus olhos, mas no domínio tecnológico local, onde o submarino terá seus resultados mais imediatos e concretos. De acordo com o cronograma, em 2014, os brasileiros esperam obter uma tecnologia própria de geração termonuclear. Além disso, alguns especialistas no país asseguram que o reator do submarino poderá fornecer energia nuclear para localidades remotas da costa do país, ampliando  sua utilização civil.
 
Segundo o acordo franco-brasileiro, o estaleiro francês DCNS proverá o desenho do casco e a tecnologia de fabricação, a empresa de defesa Thales fornecerá os sistemas de navegação e armas, e o sistema de propulsão será brasileiro. Com um investimento de US $250 milhões no Centro Experimental de Aramar, no Estado de São Paulo, os brasileiros esperam terminar o Laboratório Experimental de Geração Nucleoelétrica (Labegne), um protótipo que provará e homologará toda a tecnologia brasileira de geração nuclear.
 
Se cumprir o prometido, o Brasil passará a ser o primeiro país da América latina a ter sua própria tecnologia de geração nuclear, que servirá tanto para a propulsão de submarinos, como para geração de energia para o país.
 
A Argentina, apesar de estar mais avançada nos anos 80 e ter recebido a partir de 2007 um apoio inédito ao seu projeto Carem, um reator modular de quarta geração capaz de gerar entre 300 e 700 megawatts (MW) de potência, só recentemente entrou na fase de engenharia e recrutamento de 1500 profissionais para realizar o planejado. Inclusive a província de Formosa, no Norte, já escreveu uma carta de intenção de construir um gerador nuclear de energia em seu território, porém as obras ainda nem começaram.
 
O Labegne é um reator de água pressurizada (PWR, pressurized water reactor) de 48 MW, que é a potência que necessária para os submarinos projetados. Segundo o coordenador do programa nuclear da Eletronuclear, operadora das centrais nucleares brasileiras, o Labegne pode se converter na base para o desenvolvimento nas próximas décadas de centrais de potência baixa e média. Os técnicos argentinos da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEA) calculam que esse tipo de reator pode dar origem as centrais de 1000 MW que o Brasil planeja construir para suprir a necessidade energética brasileira independente dos períodos de seca e chuva.
 
Justamente a primeira central PWR comercial, a americana Shippingport, datada de meados dos anos 50 e foi desenhada a partir dos conhecimento do protótipo de reator para submarinos Mark 1. Hoje é a tecnologia mais difundida no mercado internacional. Em 30 de dezembro de 2008, 264 dos 438 reatores que funcionam no mundo, são baseadas nessa tecnologia, incluindo as centrais nucleares brasileiras de Angra I e Angra II.
 
Qual a sua característica? Funcionam com urânio levemente enriquecido e utilizam água comum pressurizada Mara manter a temperatura do reator sem que entre em ebulição. O mesmo hidrogênio da água contém os nêutrons disparados pela reação. Entre as vantagens, os analistas apontam a estabilidade, a economia do material crítico para a fissão e a água comum que é, de longe, muito mais barata que a água pesada. Porém no final das contas, esse tipo de reator exige um delicado cuidado dos materiais para suportar a pressão e a corrosão, e não se pode trocar o combustível sem parar as operações, o que acaba indo contra a eficiência da central.
 
Por outro lado, como a água absorve mais nêutrons que a água pesada, o PWR demanda mais urânio enriquecido. Os cálculos da Marinha determinam que para o navio seja necessário um combustível enriquecido a no mínimo 20%, porém essa parte é a que o Brasil mais domina. Desde 1982 dominam o enriquecimento de urânio mediante centrífugas e prevê que no fim de 2010 esteja fazendo os primeiro testes na Usexa, a fábrica que produzirá urânio enriquecido em escala industrial e alimentará as centrais de Angra. Usarão suas centrífugas em linha para enriquecer combustível para os submarinos e em paralelo para enriquecer combustível para as usinas de Angra.
 
Transferência de Tecnologia
 
Por outro lado, muitas firmas brasileiras participam ativamente do projeto do reator nuclear para o submarino. A Nuclebras Equipamentos Pesados S.A (Nuclep) construiu o recipiente do reator de Lebegne, Dedini S.A fabricou a turbina e o grupo Garcia Jaraguá participa da construção do pressurizador e do condensador.
 
Os contratos com a França incluem transferência de tecnologia, formação de equipes brasileiras na França e trabalho de franceses no Brasil. O Ministério da Defesa do Brasil calcula que 21 setores industriais se verão diretamente vinculados ao projeto e outros 19 de forma indireta, gerando mais de 11.500 postos de trabalho só para o projeto dos submarinos nucleares.
 
Sem dúvida quem levará a maior parte será a empreiteira gigante Odebrecht. Este grupo brasileiro participará com 50% das ações na sociedade com fins específico junto com o estaleiro francês DCNS, que tem 49% e a Marinha do Brasil, que tem 1%, para construir e operar o estaleiro encarregado do Programa de Submarinos(Prosub) para que se construa os 4 submarinos convencionais e o nuclear até 2022. Para se ter noção do tamanho, o estaleiro será construído na Ilha da Madeira, ao lado das instalações da Companhia de Docas do Rio de Janeiro, ocupando uma superfície de 900.000 m2 com capacidade para construir dois submarinos simultaneamente e atender outros 10 ao mesmo tempo.
 
Como se isto fosse pouco, o Ministério da Defesa apresentou vários projetos além do Prosub, o que deixa a indústria local esperançosa. Foi acordada também com a França a aquisição de 50 helicópteros EC725, e já foi assinado um investimento de US$ 400 milhões para fabricá-los localmente. Em paralelo com isso, está o processo de aquisição de 36 aviões de caça de última geração, que considera não só os preços, como também a transferência de tecnologia das aeronaves.
 
Mesmo assim, no escritório do Ministro de Defesa, Nelson Jobim, há projetos sobre aquisições de barcos de patrulha, aviões não tripulados, carros de combate e sistemas de satélites. Todo um conjunto de projetos que supera folgadamente os US$50 bilhões.
 
 “Nós estimamos que as empresas brasileiras podem captar 40% de cada projeto”, disse entusiasmado Jairo Candido, presidente do conglomerado industrial Grupo Imbra e diretor da Comdefesa, comissão da indústria de defesa da poderosa Federação de Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP). “Porém os verdadeiros negócios dependem do mercado, quando se pode colocar um terceiro país”, declara.
 
A transferência de tecnologias e conhecimentos pode ser o caminho para a criação de empresas líderes no mundo. E o executivo aponta o caso da EMBRAER, que, com a fábrica de aviões de treinamento italiana, a Aermachi, aprendeu as tecnologias de construção de jatos. Hoje a EMBRAER é uma das companhias que mais vendem jatos civis no mundo.
 
Fonte: http://espacointeressenacional.blogspot.com/

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