29/11/2014

21/05/2006

Educação - PROPOSTAS

A Proposta Pedagógica dos CIEPs

Reforma        CIEPs 




 Projeto Brasil (Programa de Gover do PDT)

Uma Revolução na Educação

O projeto dos governos do PDT para o país tem conceituado a Educação como a reforma de base mais importante para a criação de sólidos alicerces do desenvolvimento desta nova sociedade. É preciso garantir o acesso de todas as crianças à educação básica, do pré-escolar ao segundo grau, em um curto prazo. De imediato, é necessário assegurar uma escolaridade mínima de cinco anos nas primeiras séries do primeiro grau a todas as crianças. Assim, nenhuma criança permanecerá menos de cinco anos na escola, eliminando-se a repetência que é o principal fator de estigmatização e de marginalização das crianças das classes populares.

A escola de Horário Integral - Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs)

Criar no Brasil a escola que o mundo desenvolvido oferece a todas as suas crianças e jovens deixou de ser um sonho para se tornar a obrigação dos governos e a esperança de todo o povo brasileiro. Os CIEPs <cieps.htm>oferecem, pela primeira vez, uma solução real ao problema da educação cuja meta é formar homens capazes de compreender a sua realidade e organizar-se com seus pares para nela intervir, tendo recursos próprios capazes de corresponder aos embates e questões que lhes sejam propostas, num lúcido exercício de cidadania.

A escola de horário integral é necessária a qualquer criança, mas é absolutamente indispensável para aquelas provenientes das camadas pobres das grandes áreas metropolitanas A proposta político-pedagógica da escola de horário integral pretende dar conta do processo de reconstrução contínua de conhecimento, possibilitando que todos os alunos tenham acesso ao saber historicamente produzido pelo homem, contribuindo para reverter o quadro dramático de repetência e de evasão que se verifica no país.

O regime escolar dos CIEPs se dá em progressão contínua, assegurando o acesso à série seguinte, com avaliação para diagnóstico da situação do aluno no processo de construção do conhecimento. Atividades de informática, de teledifusão e de estudo dirigido possibilitam o apoio necessário para o aprofundamento e consolidação dos conceitos científicos, básicos para a continuidade de seus estudos.

Há ainda um trabalho de articulação da vida comunitária com o processo educacional através da animação cultural, cujo objetivo é identificar e resgatar a cultura local, suas manifestação, o seu fazer cotidiano, que deve se incorporar ao dia-a-dia da escola.

Nas escolas de horário integral há práticas higiênicas formativas, como o banho diário e a escovação de dentes, o atendimento médico e odontológico preventivo e curativo e a integração de atividades de saúde nas atividades de ensino. Como os alunos permanecem o dia todo na escola, são garantidas a eles quatro refeições diárias.

Os CIEPs podem atender aos alunos nos primeiros cinco anos de escolaridade (ciclo básico), em horário integral, ou aos alunos das cinco séries seguintes, que constituem o ginásio público, também em horário integral ou, no mínimo, em 6 horas diárias.

À noite, os CIEPs que atendem ao ciclo básico, funcionam com o projeto de educação juvenil, estruturado para recuperar o jovem de 14 a 22 anos ainda analfabeto, marginalizado, num meio social em que o domínio do código letrado é indispensável.

Já nos ginásios públicos, à noite, pretende-se oferecer o curso Madureza - um ensino que vem ao encontro da necessidade de oferecer àqueles que desejam investir em si próprios, a oportunidade de concluir seus estudos de nível médio.

No complexo arquitetônico do CIEP há residências que podem receber crianças e jovens entre 6 4 14 anos, em situação de carência ou abandono. É um recurso que busca solução no sistema escolar para alunos que estejam em dificuldades sociais sanáveis. O atendimento tem um caráter emergencial e temporário, preservando os vínculos de solidariedade e afeto da criança com o seu universo familiar e cultural.

O combate à repetência como reforma de base

Os lamentáveis índices de repetência nas escolas públicas vêm contribuindo para o fortalecimento do mito da inferioridade que estigmatiza as crianças das camadas populares tanto quanto as resposabiliza pelo fracasso escolar.

A reformulação do sistema de avaliação dos alunos se faz urgente principalmente nas séries iniciais do primeiro grau. Esta reformulação, porém, só acontecerá efetivamente se for acompanhada pela mudança das concepções arraigadas que há décadas embasam a formação dos nossos professores. Para provocar estas mudanças profundas é preciso levar adiante uma nova proposta pedagógica que se inicia por um plano básico de estudos para as séries iniciais calcadas nos seguinte s princípios:

- colocar aluno no centro do processo educativo, partindo-se da premissa de que ele é sujeito do seu próprio conhecimento e, portanto, capaz de construir o seu saber;

- organizar em cinco anos de escolaridade as séries iniciais (ciclo básico) obrigatórias, sem interrupção do processo de aprendizagem e expandir a escolaridade gradativamente aos anos subseqüentes do primeiro e segundo graus, inclusive com a revisão legal que modifique os atuais primeiro e segundo graus para cinco anos (ciclo primário), mais cinco anos (ciclo ginasial) e mais dois anos voltados para o prosseguimento de estudos a nível de terceiro grau e/ou dois anos de Educação Tecnológica com cursos de qualificação em nível secundário;

- implantar gradativamente os Ginásios Públicos para a educação secundária.

- organizar de forma coerente os conteúdos programáticos que se traduzem em atividades integradas, adaptando-se aos interesses e as vivências da criança;

- ampliar cada vez mais o tempo de permanência do aluno na escola de tempo parcial, estendendo-o, sempre que possível, ao tempo integral;

- estimular a participação ativa e decisiva da comunidade na escola, gerando ações de reciprocidade: a escola com a comunidade e comunidade com a escola.

Para implantar esta reforma de base é necessário também:

1 - implantar um sistema de avaliação permanente;

2 - garantir a qualificação do profissional do ensino.

A avaliação permanente desvincula a avaliação da reprovação, porque substitui verificações da aprendizagem que assumem um sentido punitivo para o aluno, por um acompanhamento do desempenho do aluno, do professor e de todos os outros elementos envolvidos no processo educacional. Substitui-se, portanto, a avaliação classificatória tradicional que atribui apenas ao aluno a responsabilidade pelo seu fracasso. Professores aluno realizam em conjunto a avaliação de sua própria atuação e do desempenho do grupo.

Este sistema tem que sem implantado em conjunto com o regime de progressão contínua., garantindo o acesso do aluno ao nível seguinte, com atendimento especial para suprir as deficiências constatadas. Acabam-se, assim, as reprovações indiscriminadas.

Deve-se garantir a qualificação dos professores e dos outros profissionais do ensino como condições para o sucesso da reforma da educação. É necessário se promover uma profunda reestruturação das escolas de formação do magistério, ao mesmo tempo em que se executam programas destinados a capacitar e atualizar os professores em conteúdo, conhecimento e práticas pedagógicas que respeitam as vivências e a cultura dos alunos e de sua comunidade.

As universidades devem promover uma revisão profunda na formação dos professores, revendo os conteúdos e métodos das atuas licenciaturas e instituindo cursos de nível superior para os professores de ciclo básico (Escola Normal Superior). Deve-se recorrer também ao ensino à distâncias, à teleducação e á informática como formas possíveis de extensão do ensino a todos.

A valorização do professor

Os investimentos em educação incluem necessariamente o elemento fundamental do processo educativo, que é o professor. Os planos de carreira devem incentivá-lo ao estudo constante e á atualização continuada considerando os cursos, seminários e encontros, que o professor freqüente, demonstrando aproveitamento, como pontos para sua ascensão profissional, desde que tais cursos sejam de reconhecida qualidade.

Sobretudo, é fundamental a remuneração salarial justa do professor, sem discriminação desse ou daquele grau de ensino, o que o auxiliará a retomar na sociedade o lugar de proeminência que lhe cabe.

E os proventos do professor mesmo aposentado têm que acompanhar os daqueles que ainda trabalham. Quanto ao ingresso na carreira, reafirmamos o concurso público de provas e títulos como a forma mais conveniente e justa.

Descentralização do sistema educacional

A descentralização da educação deve ser parte da reforma do Estado e da implementação das políticas sociais. Para tanto, cabe ao Governo da União estabelecer as diretrizes e normas gerais, incentivar as ações educacionais inovadoras e corrigir distorções regionais. A educação básica é tarefa do município, cabendo ao Estado particularmente o ensino de segundo grau bem como as ações complementares ou suplementares quando o município não dispuser das condições para oferecer, na plenitude, o ensino básico

Deve-se garantir as transferências de recursos federais aos Estados e Municípios sem interrupção, com rígido cumprimento de cronogramas e com critérios transparentes de alocação de recursos, garantindo também que a verba pública será utilizada unicamente para escolas públicas. A descentralização também deve ser efetivada na merenda escolar, cujos programas devem ser executados por Estados e Municípios. Deve-se alterar a política do livro didático da FAE, estimulando-se a produção de livros didáticos pelo poder público a partir de critérios baseados nas concepções pedagógicas atuais. Deve-se ampliar a oferta de livros para as escolas de primeiro e segundo grau, incentivando-se o hábito da leitura na própria escola. Deve-se estabelecer uma política de reaproveitamento do livro de um aluno para outro, evitando-se o livro descartável.

Gestão democrática

Os princípios e diretrizes devem ser formulados dentro de uma política de governo e devem ser plenamente incorporados pela escola. Contudo, precisam ser estimuladas a criatividade e a busca de soluções locais com vistas a operacionalização do plano educacional do poder público.

Democratizar a escola não é apenas eleger seus dirigentes. O que se pretende é formar um corpo de professores com elevado grau de profissionalismo, capaz de comprometer-se com a boa qualidade do ensino e com o envolvimento da comunidade, capaz de trabalhar com todos outros elementos da escola em constante interação.

Recursos de televisão, da multimídia e de informática

Devem-se colocar os recursos da informática e da televisão a serviço da formação do aluno e do aprimoramento do professor.

A menos de uma década do ano 2000, quando praticamente todas as atividades humanas já sofreram modificações em virtude do avanço tecnológico, a educação não pode fechar os olhos a essa realidade. Nas mais elementares situações da vida atual a informática está presente. Uma escola pública que tem como princípio básico diminuir as diferenças de oportunidades entre as classes sociais só pode alcançar plenamente seu objetivo incorporando essa tecnologia ao seu cotidiano, como o faz a escola particular.

A revolução industrial levou cem anos para mudar as estruturas sociais, mas em muito menos tempo os meios de comunicação social têm mudado a realidade. A criança da sociedade contemporânea, sequestrada pelo atrativo da imagem e do som, pelo poder de persuasão e pelo imediatismo da televisão , é um consumidor voraz de seus programas. A educação hoje, além de proporcionar aos educandos condições para que possam interagir com os meios de comunicação de massa, substituindo uma postura passiva por uma relação crítica e seletiva, deve tirar proveito das característica intrínsecas da televisão, enquanto veículo transmissor de informação e conhecimento.

Não podemos negar que na América Latina, e particularmente no Brasil, as grandes redes têm se caracterizado como instrumento de opressão e alienação, perpetuando o autoritarismo. Mas, por outro lado, não podemos ignorar que a tecnologia televisiva possui recursos extraordinários, que lhe dão enorme eficácia na transmissão de conteúdos. Sem dúvida, a televisão pode, se usada corretamente, não apenas dar um tratamento adequado ao que transmite, como também ser de grande utilidade como instrumento de ensino.

A revolução na educação é a reforma de base necessária para a construção da cidadania e para o desenvolvimento de estratégias de avanço de Ciência e Tecnologia no país.

Universidades

O ensino superior tem a grave responsabilidade de apoiar os esforços para melhorar a qualidade do ensino público de lº e 2º graus pela reformulação da formação dos professores e pela produção e difusão do conhecimento científico.

O papel da Universidade não se esgota aí. como produtora do conhecimento deve trabalhar nas áreas de fronteira da pesquisa. desenvolvendo a ciência e suas aplicações tecnológicas. deve qualificar melhor os profissionais que forma com capacidade crítica e de incorporação dos novos conhecimentos que são produzidos e difundidos com extraordinária velocidade. a formação básica dos profissionais é imprescindível para que ao longo de sua vida profissional possa se atualizar e diversificar as atividades, usar nova técnicas decorrentes do avanço científico. Universidades e outras instituições que produzem conhecimento devem interagir e se integrarem para a construção de um novo paradigma tecnológico de nossa sociedade.

O PDT reafirma sua posição em defesa do ensino público gratuito, da consolidação da autonomia didática, administrativa e financeira das Universidades e da avaliação institucional (externa e interna) para o aprimoramento do ensino universitário.
















 

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